Homossexualidade é genética (e não há “cura”)

Tábata Bergonci
24/08/2016

Identificadas regiões nos cromossomos que parecem ser responsáveis pela orientação sexual. [1]
Identificadas regiões nos cromossomos que parecem ser responsáveis pela orientação sexual. [1]
“Baby, eu nasci desse jeito!” canta Lady Gaga, se referindo aos homossexuais, bissexuais e transexuais, em uma famosa música de 2011. De fato, nas últimas duas décadas, cientistas vêm aumentando as evidências de que a homossexualidade não é uma escolha, mas sim determinada pela genética. Muitas pesquisas em sexualidade começam a demonstrar isso. Por exemplo, sabemos que a homossexualidade é mais comum em parentes biológicos de outros homossexuais do que de heterossexuais [2]. Estudos também mostram que a chance de que gêmeos idênticos sejam ambos homossexuais é mais alta do que para irmãos não gêmeos [3]. Recentemente, um estudo com 409 pares de irmãos gêmeos homossexuais, o maior realizado até hoje, encontrou duas regiões contendo genes que influenciam o desenvolvimento da orientação sexual [4].

O DNA é composto por nucleotídeos. Quando apenas um nucleotídeo é trocado na sequência de um gene, chamamos isso de SNP (polimorfismo de nucleotídeo único). Os pesquisadores analisaram os genomas dos 818 indivíduos (gêmeos homossexuais) e também o genoma de mais 90 familiares não-homossexuais desses gêmeos. A análise encontrou SNPs em diversos genes. Isso significa dizer que homossexuais têm alguns genes cuja sequência tem uma única alteração, se comparada aos mesmos genes em heterossexuais. Em geral, uma pequena mudança na sequência gênica pode fazer com que o gene se expresse de maneira diferente entre os indivíduos, originando diferentes características. No estudo, as regiões com mais SNPs encontrados estão presentes no cromossomo 8 e no cromossomo X (que é um dos cromossomos sexuais).

Dentre os genes com SNPs, muitos estão relacionados ao desenvolvimento neuronal ou participam na neurotransmissão. Isso significa dizer que a orientação sexual parece ser determinada antes do nascimento. Algumas descobertas são interessantes: um gene expresso no cérebro, chamado CNGA2, é essencial para que exista comportamento sexual dependente de odor (o odor está ligado aos níveis de testosterona e é importante para a comunicação sexual) [5]. Outros dois genes encontrados, AVPR2 e NPBWR1, têm relação com o comportamento e interação social em ratos [6].

Então está tudo explicado? Sequências diferentes nos genes determinam a orientação sexual do indivíduo? Não, nada é tão simples na natureza. Existem irmãos gêmeos (genomas idênticos) onde um é homossexual e o outro heterossexual, mostrando que os genes não conseguem explicar tudo. Mas a explicação para este fato parece ainda estar na genética, mais precisamente, epigenética. Simplificando, existem fatores que “ligam” e “desligam” nossos genes, e isso faz com que indivíduos com genomas idênticos possam ter características diferentes. Cientistas já encontraram pelo menos cinco regiões no genoma humano que são diferentes entre homo e heterossexuais, ou seja, alguns genes estão “ligados” em homossexuais e “desligados” em heterossexuais, e vice-versa. Evidências sugerem que essas diferenças são dependentes da posição do feto no útero e também da quantidade de sangue que o feto recebe da mãe [7].

A existência de homossexuais do sexo masculino sempre foi um paradoxo genético evolutivo, já que este existe em diversas espécies apesar da menor disposição para procriação que os indivíduos homossexuais possuem (com consequente não passagem dos genes para os filhos). Curiosamente, mulheres que apresentam a variante de genes homossexuais masculinos não são necessariamente homossexuais e apresentam maior fertilidade. Assim, a alta fecundidade dessas mulheres na população parece “compensar” a taxa de homossexualidade masculina [8]. Alguns estudos mostram que certos genes relacionados à atração por homens parecem “funcionar” tanto em homossexuais, quanto em mulheres, e, no sexo feminino, isso leva ao aumento do sucesso reprodutivo.

Os últimos estudos sobre orientação sexual são, no mínimo, interessantes. Nossa sequência de DNA, juntamente com a epigenética, explica o porquê de mães e pais heterossexuais poderem ter filhos homossexuais, sendo o contrário também verdadeiro. Além disso, as descobertas em epigenética mostram o quanto o ambiente pode influenciar a orientação sexual do indivíduo, desde antes do nascimento. Do mesmo modo que nascemos com olhos castanhos ou azuis, temos nossa sexualidade intrincada ao nosso DNA. E aqui não me demoro nas questões de preconceitos. Deixo só o que Milton Nascimento cantava em 1975, e que hoje serve de tema para as manifestações contra homofobia: “Qualquer maneira de amor vale à pena”.

[1] Crédito da imagem: Aaron Edwards (Flickr) / Creative Commons (CC BY-NC 2.0). URL: https://www.flickr.com/photos/evill1/113813037/.

[2] K Alanko et al. Common genetic effects of gender atypical behavior in childhood and sexual orientation in adulthood: a study of Finnish twins. Archives of Sexual Behavior 39, 81 (2010).

[3] G Schwartz et al. Biodemographic and physical correlates of sexual orientation in men. Archives of Sexual Behavior 39, 93 (2010).

[4] AR Sanders et al. Genome-wide scan demonstrates significant linkage for male sexual orientation. Psychological Medicine 45, 1379 (2015).

[5] M Milinski et al. Major histocompatibility complex peptide ligands as olfactory cues in human body odour assessment. Proceedings of Royal Society B 280, 20122889 (2013).

[6] R Nagata-Kuroiwa et al. Critical role of neuropeptides B/W receptor 1 signaling in social behavior and fear memory. PloS One 6, e16972 (2011).

[7] M Balter. Can epigenetics explain homosexuality puzzle? Science 350, 6257 (2015).

[8] A Camperio Ciani et al. Sexually antagonistic selection in human male homosexuality. PloS One 3, e2282 (2008).

Como citar este artigo: Tábata Bergonci. Homossexualidade é genética (e não há “cura”). Saense. URL: http://www.saense.com.br/2016/08/homossexualidade-e-genetica-e-nao-ha-cura/. Publicado em 24 de agosto (2016).

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Tábata Bergonci

Tábata Bergonci

Doutora em Genética e Melhoramento de Plantas. Pós-doutoranda na Universidade de São Paulo. Escreve sobre Genética no Saense.

45 comentários sobre “Homossexualidade é genética (e não há “cura”)”

  1. Excelente texto, parabéns… Eu só fico imaginando, e eu sempre olho o lado negativo kkk, que ao ler um texto como esse passem a achar que o homossexualismo é uma mutação gênica, um erro no genoma ou algo assim… as vezes acho que estamos tentando achar explicação para o que não precisa… e que isso da mais margem para o preconceito!! Uma pena que ainda exista preconceito.
    Mais uma vez parabéns pelo texto.

    1. Pois é, Luana, sempre que leio sobre esses estudos fico pensando a mesma coisa: as pessoas vão começar a querer “deletar” ou “arrumar” o genoma alheio. O preconceito é muito difícil de combater, mas ainda temos que acreditar que a educação e a ciência são possíveis caminhos!!! Obrigada pelos produtivos comentários.

      1. Pois é muitas pessoas iriam mudar isso mas aí penso q cada um tem o direito de mudar sua sexualidade se ela não o faz feliz a homossexualidade é uma condição então querer mudar isso tem que ser uma decisão de livre escolha e se a ciência Chegar a esse patamar super apoio q as pessoas se assim quiserem mudar não somos ninguém pra dizer como o outro deve ou não ser feliz.

    2. Mas vc parou pra pensar que ate a altura e a cor dos olhos ,assim como muitas características são alterações genéticas? Isso torna a sexualidade como uma característica da pessoa , n uma doença

  2. O texto é bom e claro em vários aspectos, mas peca e se contraria ao utilizar o termo homossexualismo. O sufixo “ismo” remete a doença e o objetivo aqui é esclarecer que não há cura para homossexualidade justamente porque não é doença.

    1. Olá Tarsila, obrigada pelo comentário.
      Entendo que alguns possam tratar a palavra como doença, e talvez até possamos deixar de usar o sufixo para não haver “confusão”.
      Conforme o dicionário Aulete Digital, o sufixo “ismo” pode ser empregado em diversas palavras, com muitos significados diferentes. Entre estes “comportamento, condição, opção ou preferência sexual de’: bissexualismo, homossexualismo, lesbianismo”.
      “Ao contrário do que algumas pessoas pensam, o fato de ter um mesmo morfema não garante que haja uma mesma interpretação da palavra em si.”

      1. Acho que, assim como eu, ninguém nunca ouviu falar em heterossexualismo, e sim heterossexualidade. O sufixo “-ismo” referente aos outros status sexuais que não a heterossexualiade são sim termos pejorativos !!!

        1. João, já expliquei sobre o sufixo “ismo” e para não criar desconforto para alguns, alterei a expressão no texto.

  3. Achei super interessante e legal, parabéns.
    Só me incomodou a utilização do termo “homossexualismo” onde o correto seria homossexualidade. Espero que seja feita a correção, obrigado!

  4. Tabata, eu li seu esclarecimento sobre o assunto. Mas infelizmente o termo ismo ainda é pejorativo, mesmo o uso sendo correto em alguns casos. Quanto mais desassociarmos termos com o preconceito com o público em geral, seria melhor =D

      1. Tábata, primeiro queria parabenizá-la pelo o texto que está incrível, segundo, gostaria de saber se você sabe ou tem alguma informação sobre se o “grau” (nesse caso, eu sei que to usando o termo errado, mas não sei como usar um termo melhor, tipo, em relação à pessoa ser homo, bi, trans, pan… enfim, acho que dá pra entender) de homossexualidade seria algo determinado pelo genótipo ou se seria algo mais como um fenótipo ?
        Ps. Eu sei que o termo “grau” foi usado errado, mas não sei como exemplificar melhor

        1. Olá Julio,
          Apesar de já termos pelo menos duas décadas de estudos genéticos com relação ao tema, ainda temos muito que avançar. Muito provavelmente as diversas variações, em diversos genes, vão formar um gradiente que irão da heterossexualidade até a homossexualidade. Eu acredito que o ambiente acabe interferindo também no “grau” dessa homossexualidade/heterossexualidade.
          O comum na natureza não são apenas dois lados de uma moeda, na maioria das características sempre teremos um gradiente e a maioria das pessoas, no caso da sexualidade, estará nesse meio, tendendo pra um ou outro lado, ou mesmo ficando completamente “no meio”.
          Bons estudos nesse sentido, para tentar entender como o “grau” de homo/heterossexualidade é gerado, terão que ser realizados com base na genética, ambiente, psicologia, enfim, um estudo amplo que implicará em diversos fatores envolvidos.
          Muito obrigada pelo comentário, se preferir, pode entrar em contato por email tabatab@usp.br

  5. Ola, gostei muito do texto embora a palavra “homossexualismo” tenha me incomodado um pouco, visto que “ismo” é sinônimo de doença, o certo é homossexualidade..Enfim, espero que os preconceituosos não usem desses estudos para destilar o ódio e tentar achar uma “cura” para a “”aberração cromossômica””. Sucesso e parabéns! Abç

    1. Olá Mariana, como já expliquei acima, “ismo” não é sinômimo de doença, apenas é mais uma das funções desse sufixo. Porém, para não haver mais incômodos, a palavra já foi retirada do texto.
      Muito obrigada pelos comentários.
      Abraços,

  6. Oi Tábata, Ao ler seu artigo fiquei pensativa sobre algumas leituras que fiz a algum tempo e me deixaram curiosa. Espero que você possa me ajudar rs. Li a algum tempo atrás sobre a alteração no comportamento sexual de peixes causado pelo aumento a sua exposição à substâncias químicas presentes na água (agora não sei ao certo se a mudança foi no comportamento dos peixes expostos ou dos filhotes deles, se havia alguma mudança genética). Como essas substâncias estão em níveis cada vez maiores, existem uma preocupação sobre a reprodução deles futuramente. Sabendo que a maioria dessas substâncias são cumulativas no corpo deles, e que nosso consumo de peixes aumentou e que a contaminação deles também aumentou, por consequência estamos consumindo peixes contaminados. Quando li sobre os peixes fiquei pensativa se haveria alguma relação entre consumos de peixes contaminados e a nossa maior exposição a estas substâncias, com alterações nesse sentido no ser humano. Já que as mudanças nos peixes são fato, poderia por bioacumulação estar causando alguma mudança nos seres humanos também? Já leu algo sobre isso? Seria um fator a mais para causar essas alterações?

    1. Olá Gabriela, muito obrigada pelos comentários.
      Primeiramente, acredito que temos que tomar cuidado quanto a algumas ideias, já escutei pessoas preconceituosas utilizando do argumento alimentar para justificar o surgimento de gays. Infelizmente, o preconceito encontra justificativas em tudo.
      Como cientista, não posso dizer que isso não possa ser verdade, mas acredito que tenhamos mínimas chances de que seja. A homossexualidade existe em outros animais, e existe na espécie humana desde que nos conhecemos como espécie. O fato de parecer existir mais homossexuais hoje, é que vivemos em um mundo globalizado e conectado, onde podemos inclusive fazer levantamentos do número de gays, trans, etc. Ainda, as bandeiras contra o preconceito vêm surgindo efeito e as pessoas estão se sentindo mais “a vontade” para ser quem são. Juntando esses dois fatores, eu acredito que não estamos tendo um aumento de homossexuais na sociedade, e sim temos uma descoberta/revelação desses homossexuais.
      Sobre os trabalhos com os peixes, eu teria que lê-los para comentar o meu pensamento. Mas também temos que lembrar que mesmo que isso esteja acontecendo com eles, não necessariamente acontecerá com nossa espécie.
      Abraços.

  7. Parabéns Tábata pelo texto.
    Eu realmente sempre acreditei na lógica da genética. E acredito fielmente que ela vem muito mais para explicar do que para confudir. Contudo, acho importante sempre, fazer uma técnica que aprendi no mestrado, mais especificamente em metodologia científica. Antes de uma publicação, solicite aos seus pares a leitura e texto, eles podem encontrar coisas que vc não viu….
    Acredito que o termo utilizado no título “não há cura” pode acabar inferindo que é uma doença… afinal existem centenas de doenças congênitas e não congênitas que não apresentam cura. O termo apesar de apresentar um outro conceito a ler o texto fica mais claro, porém, volto as aulas de metodologia…jamais de possibilidade ou voz para a dubiedade. ..caso contrário alguém pode dizer, “falei que era doença, não?”.
    No mais, parabéns e continue produzindo conhecimento e compartilhando conosco.
    Anderson

    1. Olá Anderson, obrigada pelos comentários.
      O título do texto é uma provocação feita propositalmente. É uma forma sarcástica de atingir o preconceito que paira por aí. Considero a licença poética em textos não científicos (que é o caso desse meu) essencial para não suprimir a criatividade. Nas suas disciplinas de metodologia você aprendeu como escrever um texto científico, um documento oficial, etc, neste caso é diferente, este é um texto aberto, onde coloco além de resumos científicos, minha opinião, com as minhas palavras.
      Abraços.

  8. PARABÉNS PELO TEXTO TÁBATA, É ESCLARECEDOR. TALVEZ A EXPLICAÇÃO PARA O PORQUE DE UM GEMIO UNIVITELINO OU IDÊNTICO SER HETEROSSEXUAL E OUTRO HOMOSSEXUAL ESTEJA NA MULTIFATORIEDADE LIGADA AOS GENES IDENTIFICADOS COMO ATUANTES NA ORIENTAÇÃO SEXUAL, IDENTIFICADOS PELAS PESQUISAS. EM FIM BELA PESQUISA.

    1. Muito obrigada, João. Sim, como são diversos genes ligados a essa característica, as coisas são mais difíceis de mensurar. Uma explicação para o caso dos gêmeos idênticos onde um é gay e o outro não, seria a epigenética, a regulação da expressão gênica que é hereditária mas não está em nosso DNA, e que muda conforme o ambiente em que o indivíduo é exposto. Como eu mencionei no texto, até mesmo a quantidade de sangue que o feto recebe altera a expressão de certos genes, e gêmeos idênticos nem sempre recebem a mesma quantidade de sangue, além de estarem em locais diferentes no útero.

  9. Excelente artigo, vou compartilhar e espalhar a mensagem, para ver se esses conservadores ignorantes olhem para o outro lado além da livro sagrado deles.

  10. Eu quero muito que você me tire uma dúvida. Eu ja li vários artigos, inclusive os do Dráuzio Varella, e sempre li que a homossexualidade tinha chances de estar ligado com a distribuição hormonal, ainda na formação do feto, agora eu leio este excelente artigo, e diz que a homossexualidade pode estar ligada aos genes. Você pode me explicar se a distribuição hormonal e os genes (epigenética), podem, os dois, estarem ligados na formação da homossexualidade, ou só pode ser um dos dois?

      1. Olá Carlos, desculpe a demora. Funciona mais ou menos assim: a carga genética, ou seja, os “tipos” de genes que nós carregamos, são extremamente determinantes para o ser que seremos em aspectos físicos, psicológicos etc. Porém, existem fatores epigenéticos que modificam a expressão genica desde a formação do embrião. Sendo assim, temos que considerar a genética e a epigenética. Em relação a distribuição hormonal no feto, esse seria um outro fator, pois existem gêmeos idênticos onde um é gay, mas não o outro. Esse tipo de situação faz os pesquisadores pensarem que a posição e local onde o feto se localiza é tb importante. De qualquer forma, muito falta à ser pesquisado em relação a esse último tópico e na questão hormonal. Mas devemos lembrar que mesmo a diferença hormonal entre um e outro indivíduo vem da expressão genica diferenciada, que produz mais ou menos proteínas que participam da síntese dos hormônios. Espero ter ajudado. Obrigada pelo elogio. Abraços

        1. Ah bom, entendi agora. Do ponto de vista de vocês cientistas, vocês acham que a homossexualidade pode ser, ou melhor, tem chances de ser determinada ainda na barriga da mãe? Porque eu já tentei de tudo para deixar a homossexualidade, eu não consigo para de sentir atração por pessoas do mesmo sexo, nesse momento em que te escrevo, eu choro quando toco nesse assunto, é muito difícil para mim lutar contra a minha própria natureza, algumas pessoas dizem que dá para mudar a orientação sexual, mas eu não consigo isso, não tenho a mínima atração por mulheres. Sonho com o dia em todos vejam a homossexualidade como uma variação normal e natural da sexualidade humana, assim como a heterossexualidade.

          1. Olá Carlos,
            Na minha opinião científica e, principalmente, baseada no que a ciência vem descobrindo, as pessoas nascem homossexuais, não se tornam homossexuais. Não existe mais o que discutir nesse sentido, porque já está cientificamente comprovado que a orientação sexual está nos seus genes, do mesmo jeito que a cor dos olhos está, não dá pra mudar.
            Sobre a sua tentativa de mudar, bem, eu não conheço nenhum ex-gay, já ouvi relatos, acho que é lenda. Acho que você tem que simplesmente aceitar o que você, o que você quer, o que você sente, o que você gosta, ser feliz é mais importante do que se preocupar com a opinião dos outros. Eu sei que como vivemos em sociedade, acabamos afetados pelo julgamento alheio, mas com calma e tranquilidade conseguimos cada vez mais sermos nós mesmo e se importar menos com isso.
            Também espero que um dia a humanidade veja isso como natural, mas tenho pouca esperança nisso.
            E, olha, o preconceito contra homossexuais não é o único, ele é apenas um pouco mais escancarado. Mas veja, eu como mulher, sofro todos os dias discriminação, em vários setores da minha vida pessoal/social e profissional, como todas as mulheres sofrem. O que acontece é que muitas não se dão conta da discriminação sofrida, mas a ideia de que somos inferiores está embutida na mente de muitas pessoas. E bem, eu faço minha luta pelo que acredito, acredito na igualdade entre as pessoas, respeitando a diversidade. Luta você também, vale a pena!

  11. Nossa, Tábata, a maneira como você falou comigo me fez ficar mais tranquilo. Eu tenho essa vontade de lutar pela a igualdade, mas tem momentos que bate um desânimo. Você me deu mais esperanças, obrigado pelas as palavras, vou fazer de tudo para que palavras ofensivas ou contrárias as minhas, não me afetem. Eu vou é ser feliz!

  12. Sobre esses ex-gays, eu achei um excelente texto sobre isso.

    NÃO EXISTE EX-GAY. Como esses aí que se dizem “curados”, eu já vi muitos!!! Atacando fora o que nunca vai matar dentro. Vai pra igreja porque não se aceita, não se ama, nem se respeita… e não se ajusta na sociedade. Levou um fora do namorado e não consegue ser feliz no amor?…. Ou cansou da futilidade que muitos gays optam por viver, num mundo de veneno e desrespeito próprio dos que não se ajustam a sua sexualidade e se deixam influenciar pelos preconceitos sociais. Se odeiam e odeiam outros gays. Que triste! Tomam as decisões erradas. E depois fogem pra uma igreja.

    Alguns dizem poder se livrar das ”práticas”, mas nunca da homossexualidade em si. Igual a esses há muitos… até casados, com filhos ”abençoados” e que se juram ”libertos”, blablabla. Mas não duram nessa farsa. Logo, logo os desejos homo estarão explodindo. Pode ficar nessa capa até por anos, mas sabe como é duro resistir e o manter as aparências e o ”testemunho”… Como devem se reprimir e ser neuróticos!

    Nunca poder se ”manter hetero”, pois sua ESSÊNCIA é gay. Sim, não há escolha. Ninguém escolhe ser e nem deixar de ser. Vocês apenas repetem as falácias do sr. Silas Malafaia e afins, mas no fundo sabem que é tudo mentira! VIVEM UMA FANTASIA UT’ÓPICA. Não existe cura para o homossexual, pois ser homossexual não é uma doença, o indivíduo nasce. O que pode acontecer com esses que se dizem curados, é que se ligaram a uma religião e abstiveram-se da pratica e com isso levam uma vida como se não desejassem mais esse tipo de envolvimento, quando na verdade desejam, e para sanar esse desejo recorrem ao jejum e a oração. Caso tivessem sido “libertos” não seria necessário nenhuma prática desse tipo, pois não vemos nenhum heterossexual não evangélico jejuando e orando para serem o que são: héteros. Homossexual é homossexual e não existe nenhuma religião que mude isso.
    Vejam a ciência, a Psicologia: Se não se nasce assim, se torna… sem ter optado por nada! Quantas falácias e idealizações nos testemunhos. Homo Faz parte da natureza, da humanidade, quer gostem ou não. Se aceitasse no fundo, seria equilibrado. Não é fácil. Mas não precisaria de muletas da religião.

    Essa história todos já conhecem o fim, já viram um caso na igreja. Como tantos por aí, os ”ex-gays” vão voltar as práticas sexuais (se é que um dia deixou) e provocar escândalos ou abafá-los pelo bem do ”evangelho”. E culpar o diabo. Depois a crentalhada vai dizer que ”ele nunca encontrou Jesus de verdade”, fazer fofoca e pisar nele. Sim, o mundo evangélico é hipócrita, cruel e coorporativista. Fazem acreditar em milagres que nem eles acreditam. Igreja… vocês perseguem gays, mas não salvam nenhum!! ACORDEM. Parem de iludir pessoas tristes.

    Dica: Deveria procurar um psicólogo hoje pra se ACEITAR e ser saudável como é. Mas não… preferem ser infeliz por uma crença falsa e viver se frustrando e perseguindo gays ajustados. Que pena pois assim apenas magoam a si mesmos, perdem tempo, juventude, energia e pior, prejudica outros homossexuais confusos com seus dogmas Não há PROVAS sobre ex-gays.
    Pesquisem Lana Holder e Sergio Viula (do MOSES) e tantos outros que pararam de mentir pra si, Deus não exige que você ”deixe” de ser gay! Os homens, sim.

    ”Não existe pecado maior que a estupidez”! (Oscar Wilde)

  13. Tábata, mas epigenetica não tem cura não, ou estou enganada? Eu li uma matéria sobre a possibilidade de células troncos darem origem a óvulos e espermatozóides, no caso abriria possibilidade de casais do mesmo terem seus filhos com o DNA do dois pais ou das duas mães.
    O responsável pelo o projeto, Azim Surani, disse que:

    Temos sido bem sucedidos no primeiro e mais importante passo neste processo, que é demonstrar que nós podemos fazer células-tronco humanas artificialmente. Também descobrimos que mutações epigenética e erros de células que ocorrem com a idade, pode ser modificado e apagado.

    Então Tábata, se epigenética pode ser modificado e apagado, e a homossexualidade pode ser causada por epigenética, então será que no decorrer dos anos, a ciência não poderia silenciar ou apagar a epigenética que causa a homossexualidade? Isso seria assustador, modificar a essência do ser humano, modifcar o que ele é.

    1. Olá Mariana, a epigenética é só mais um componente que controla os seres vivos e, portanto, não tem “cura”. Diferente do genoma, que é modificado facilmente hoje em dia, a epigenética é uma descoberta um pouco mais recente e pouco se tem feito no sentido de “modificá-la”, pois ela ainda é um pouco complexa para o que temos em ciência.
      Não temos como prever o futuro, mas acredito que estamos muito longe de “editarmos” o ser humano a ponto de mudarmos sua “essência”. Temos que lembrar também que somos seres culturais e, apesar de sermos movidos por nossos núcleos celulares, muita coisa é modificada durante nossas vidas (e claro, podemos chamar tudo isso de epigenética também, então pense o quão complicado é “controlar” tudo isso no indivíduo).
      Quanto ao projeto de células-tronco, eu teria que ler e ver o quanto esse “descobrimos que podemos apagar erros e traços epigenéticos” é realmente realidade, ou se ainda está sendo testada as hipóteses.

  14. Sou contra quaisquer formas de preconceito, inclusive de considerar a homossexualidade doença.
    No campo das ciências sociais esse tema -origem ontológica da homossexualidade- ainda não foi cabalmente definido, não se deu um ponto final. Inclusive há estudos em que gêmeos idênticos tem orientação sexual diferenciada. Ora, se a homossexualidade é geneticamente determinada, como explicar o fato de tais gêmeos não o serem? (um vem a se tornar hetero e outro, homo).
    Há um consenso, porém, em que a homo seja um híbrido entre carga genética e influências ambientais, isto é, o biológico e o social (inclusive a família) de mãos dadas para explicar a nascente da homossexualidade.
    Enfim, nós da área de humanas e sociais preferimos ser mais cautelosos, com devidas exceções, afinal é um tema controverso. Outrossim, preferimos fugir de certos determinismos quando o assunto é comportamento (evitamos a lógica positivista na análise de fatos sociais). Penso que afirmar que um gene direciona a orientação sexual de um indivíduo o aprisiona a um destino que nem a sua vontade pode mudar. Colocando em pergunta: não teria ele/ela liberdade e vontade para escolher sua orientação uma vez que já foi biologicamente determinada? “Onde fica” sua decisão, sua capacidade de escolha (homo ou hétero?) no terreno dessa pesquisa? Comprometida?

  15. Olá Fábio,
    Obrigada pelos comentários.
    A questão da homossexualidade, assim como tantas outras, não está finalizada cientificamente, seja nas ciências biológicas ou sociais.
    Quanto aos seus questionamentos em relação a gêmeos, explico no texto o que se tem na literatura. A epigenética é grandemente responsável por isso, e ainda na barriga da mãe a orientação sexual desses gêmeos pode ser determinada. Vários fatores epigenéticos estão associados a isso, incluindo a posição na placenta em que o bebê se encontra.
    Em relação a cautela, a ciência avança sempre com experimentação, mas nunca dando provas absolutas de que o que é descoberto é imutável. Quando fazemos uma descoberta, outras pesquisas surgem e acrescentam mais a ela, e assim se constrói conhecimento.
    A ciência mostra a realidade de forma lógica, prova com experimentos rigorosos, mostra evidências e interpreta resultados. Não “acreditar” nela é negar o pensamento racional humano. Aqui eu uso as aspas e já explico o porquê. Diferente do que muitos parecem pensar, a ciência não é uma religião e, sendo assim, você a constrói com resultados visíveis para qualquer um. Ela abrange toda a humanidade e todos tem direito a experimentá-la.
    Em relação a “um gene” determinar a sexualidade, o texto nunca diz isso. São muitos fatores que a determinam, entre genes (no plural), regulação gênica e epigenética.
    E quanto a pergunta, creio que a resposta possa ser encontrada tanto nas ciências da vida como nas humanas:
    Para a biologia: não, ele/ela não tem escolha, está tudo programado geneticamente e epigeneticamente, usar azul e brincar de carrinho não vai ajudar.
    Para a ciência social: não, ele/ela não tem escolha, ninguém conhece “ex-gay” (e eu acredito que isso possa existir, mas aí é uma outra vertente de discussão que não cabe aqui); muitos homossexuais travam batalhas contra si, lutando contra sua “natureza”, como eles mesmos relatam.

  16. Olá Tábata,
    Agradeço seus comentários…é interessante ver perspectivas diferentes sobre um tema controverso como é a nascente (biológica e/ou psicossocial?) da homossexualidade. Concordo em muito do que você apresentou, embora não tenha explicitado isso (a questão da racionalidade científica, o rigor do pensamento científico, como ela aborda a realidade etc.). Entendemos que sempre buscando conhecer tal realidade/fenômeno, testando uma teoria (pensamento sobre uma realidade), a ciência avança. Como uma das modalidades de conhecimento que se propõe a responder questões humanas, ela (com suas/seus teorias, postulados, técnicas etc.) tem seu limites, muitas vezes ultrapassados por novas pesquisas (que bom!). Mas felizmente a ciência não tem resposta pra tudo (nunca terá, daí outras modalidades de conhecimento para ajudar).
    Sobre eu afirmar que um gene “determinar a sexualidade”, acho que não fui claro. Quis dizer de um “gene” ou conjunto de genes predispor à homossexualidade, conduzindo a uma leitura quase determinista da orientação sexual do indivíduo (note que o título do artigo sugere isso).
    Para biologia: em suas palavras: “não, ele/ela não tem escolha, está tudo programado geneticamente e epigeneticamente”.
    Para ciência sociais: sim, ele tem escolha, pois além biológico é um ser racional, cultural, de direito e com liberdade para escolher o que faz com o corpo e com a própria vida.
    “muitos homossexuais travam batalhas contra si, lutando contra sua “natureza”, como eles mesmos relatam”, faço coro nessa afirmação. Pode ser, sim, em função da genética. Mas até que ponto ela é determinante e não condicionante?
    Sabe Tábata, prefiro conceber a homossexualidade como uma questão inconclusa (em algum momento você fala isso no texto), quem sabe poderosamente influenciada por fatores socioculturais, biológicos (leia-se aqui genéticos) e experiências de vida do sujeito. Acho que esse termo -influenciar- equilibra o debate, com a questão da origem como multifatorial (e não fortemente genética).
    Felicito-a pela interação, abertura para o pensamento diverso e para o diálogo. Valeu a discussão!

    Abraços.

  17. Se homo é genético, porquê se reproduzem como heteros? Desda ameba ate o peixe palaço e tubarão martelo possuem caracteristicas proprias de reprodução nem sempre hetero ,por que o homossexual a caracteristica reprodutoria é hetero?

    1. Olá Eduardo,
      São coisas distintas. A herança homossexual não está relacionada a reprodução sexual. Existem formas de vida que conseguem se reproduzir assexuadamente, ou seja, sem a necessidade de um parceiro do sexo oposto. No caso dos humanos, seres extremamente complexos biologicamente, a única forma de reprodução é a sexual. Ou seja, os homossexuais, por não se sentirem atraído pelo sexo oposto, podem escolher não se reproduzirem. Mas isso é uma escolha pessoal, já que temos milhares de exemplos de homossexuais que têm filhos biológicos.
      Na maioria das espécies a reprodução é muito mais instintiva que prazerosa, o que significa que as espécies estão programadas geneticamente a encontrar o parceiro ideal para deixar descendentes. No caso dos humanos, uma espécie “semi-social” onde a cultura influência nossas escolhas, a escolha para reprodução geralmente está atrelada à sentimentos (desejo, amor, atração, etc), mas existem casos de heterossexuais que se reproduzem sem vincular-se afetivamente ao parceiro.
      Resumindo, homossexualidade não impede ninguém de se reproduzir e deixar descendentes. Temos a vantagem de sermos uma espécie racional, nos garantido melhor poder de tomada de decisões e menor influência de nossos instintos em nossas escolhas de vida. Outros animais não tem essa sorte e existem muitas pesquisas que estudam a influência da homossexualidade na população em relação a geração de descendentes e perpetuação da espécie, mas isso é outra história…

  18. Qual a fonte da pesquisa? cite qual pesquisa onde você encontrou as bases genéticas sequenciais e determinantes para a homossexualidade. Ainda não vi nenhuma autoridade cientifica noticiando algo parecido. Por favor estes conceitos estão sem embasamento cientifico parece mais cópias retóricas de quem quer justificar uma opção sexual.

    1. Olá Rafael,
      Citei sete artigos que comprovam o que estou falando no texto (estão no final do texto). Em um texto com citações numéricas, os números em colchetes significam as referências utilizadas para cada argumento. Lendo meu texto com atenção, você pode perceber os números (exemplo [1]). No rodapé do texto os números te guiarão às referências (artigos científicos).
      Todos os meus artigos no Saense são baseados em artigos científicos publicados nas melhores revistas do mundo. Dentre os artigos que citei para fazer meu texto, temos inclusive um na revista Science, que junto com a revista Nature está no topo da pesquisa científica.
      Os cientistas não saem dando pronunciamentos como se ciência fosse religião. A ciência é construída passo a passo, artigo por artigo. Ou seja, se você quer estar atualizado, precisa ler os artigos científicos. Ou então, fazer o que a maioria das pessoas fazem, ler textos que comentam sobre as novas descobertas científicas de maneira mais acessível a população em geral.

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